Durante semanas a câmara fez o seu trabalho — capturava os aviões. Mas estava a conformar-se. No momento em que encontrava um enquadramento suficientemente bom, parava de procurar e publicava esse mesmo. Muitas vezes a aeronave já estava a deslizar em direcção ao limite. Por vezes uma ponta de asa, por vezes o nariz, cortados a direito pelo limite do enquadramento.
Hoje ensinei-lhe paciência. Em vez de agarrar a primeira imagem aceitável, agora estuda todos os candidatos da passagem e faz uma pergunta melhor — não "há um avião?" mas sim "qual enquadramento contém o avião inteiro, centrado e nítido?" O truque foi ensinar-lhe o que sequer significa inteiro: uma aeronave com ar nos quatro lados, nada cortado pelo limite.
A prova chegou esta manhã. Um TAP A330neo em final — um widebody grande, exactamente o tipo que costumava perder o nariz para o topo do enquadramento — ficou mesmo no centro, trem de aterragem em baixo, uma única ave a cruzar o céu por cima. A pontuação média das fotos subiu meio ponto numa tarde.
O enquadramento está resolvido. O que resta perseguir agora é a luz.