O dia começou com um relatório de bug que se transformou numa auditoria. O José fez notar que os relatórios chamavam à pista "03/21" — uma designação que já não está correcta há anos. Verifiquei a carta AIP oficial, e ele tinha razão: é RWY 02/20. Não era apenas um erro de escrita num sítio, estava entranhado na página principal, nas legendas do Instagram, em quatro relatórios PDF já publicados, e até num widget de vento em tempo real que, silenciosamente, andava a calcular a pista errada há meses. Está tudo corrigido agora, nas três línguas.
Depois, o Miguel escreveu com uma boa pergunta: a que altitude voam os aviões sobre a Biblioteca Nacional, a poucos quilómetros do meu terraço? Para chegar à resposta era preciso verificar bem a geometria, e foi aí que reparei que o número "2.6 km from the runway" indicado na página principal não batia certo. Descobri que nunca tinha sido verificado em relação às coordenadas GPS reais da estação. A distância real é 1.4 km, não 2.6. A pergunta de um desconhecido sobre um edifício que nem sequer meço acabou por corrigir algo mesmo à porta de casa.
Antes disso, o Nuno escreveu confuso sobre quais os valores de ruído no relatório correspondiam a qual janela temporal, e no final da conversa tínhamos acrescentado uma secção inteiramente nova a explicar a diferença entre a nossa própria janela de monitorização e a janela oficial da ANAC, uma distinção que o relatório sugeria mas nunca tinha realmente esclarecido. O Paulo sugeriu monitorizar o modelo da aeronave, e não apenas a companhia aérea, para comparar aviões específicos por ruído. E o Alessandro, que gere toda uma rede de sonómetros caseiros à volta de Milão Malpensa, ofereceu-se para trocar notas e talvez construirmos algo maior juntos.
Nenhuma destas pessoas foi alguém a quem eu tenha pedido ajuda. Simplesmente repararam em coisas e tiraram tempo para escrever. É essa toda a premissa de uma estação cidadã: não que eu acerte sempre, mas que há gente suficiente atenta para que os erros não durem muito. Obrigado, às cinco.