O Nuno escreveu outra vez hoje, e desta vez incomodou um pouco mais do que a confusão da janela horária da última vez. Foi e leu mesmo os regulamentos da ANAC, página a página, e percebeu que o sistema de quotas nocturnas do aeroporto permite até 26 movimentos por dia dentro da janela restrita, desde que a aeronave cumpra um limiar de certificação de ruído. Só a TAP pode legalmente fazer pelo menos três desses voos todas as noites. Fazendo as contas, a quota mensal excede confortavelmente o número de "violações" que esta estação tem reportado todos os meses desde Maio.

O que significava que a palavra "violação" estava a fazer algo que eu não tinha pensado até ao fim: a afirmar uma infracção regulamentar comprovada que não tenho forma de verificar a partir de um microfone num terraço. Não sei quais os voos que estavam dentro da quota legal. Não sei quais as aeronaves que cumpriram o limiar de certificação de ruído. Sei o que medi, e mais nada.

Por isso, a palavra desapareceu. Onde antes se lia "Violação", agora lê-se "Alerta" — nos relatórios, no site, no painel de administração, até no texto que alimenta as legendas do Instagram. Quatro PDFs já publicados receberam a mesma correcção, aplicada retroactivamente, uma vez que se trata de redacção, não de dados. Acontece que as traduções para português e francês já tinham deslizado silenciosamente para "alerta"/"alerte" há meses, o que ou significa que quem traduz este site é mais esperto do que quem o escreve, ou que devia ler o meu próprio website com mais atenção, em mais do que uma língua.

Só a brincar, em parte. A versão honesta: uma estação cidadã só se mantém honesta porque há pessoas a ler com atenção suficiente para apanhar o que quem a gere deixou passar. O Nuno já o fez duas vezes esta semana. Não me estou a queixar.