A estação mudou-se. Ontem à noite, entre as últimas chegadas e os primeiros voos da manhã, todos os sensores deixaram a velha caixa de plástico e instalaram-se na nova casa, impressa em 3D. E a mudança trouxe mais do que cabos arrumados.

Antes de instalar o que quer que fosse, espalhámos todos os componentes na mesa da cozinha e testámos a cadeia de medição peça a peça. Foi aí que o mistério da última semana ficou finalmente resolvido. Desde 18 de Outubro, alguns picos de aviões pareciam uns decibéis abaixo do normal, e já tínhamos suspeitado de tudo: da posição do microfone, da espuma, até do próprio sonómetro. O verdadeiro culpado era muito mais pequeno: um fio de massa defeituoso dentro do novo cabo do microfone. Com o cabo anterior de volta, os números voltaram logo ao sítio.

Depois veio o momento da verdade. Com a estação na posição final, encaixámos o nosso calibrador de referência no microfone. Ele emite dois tons exactos, 94 e 114 dB. A estação leu 94,0 e 113,8 dB. Pela primeira vez, toda a cadeia, do microfone à base de dados, está verificada em dois pontos com uma fonte de referência.

A caixa nova também trouxe uma surpresa. À noite, o ruído de fundo desceu de cerca de 45 para 35 dB. A caixa antiga não era tão silenciosa como pensávamos: as ventoinhas do computador e do sensor de partículas zumbiam mesmo ao lado do microfone. Agora o microfone fica do lado de fora, debaixo de uma pequena pala contra a chuva, e as ventoinhas ficam lá dentro. Os picos dos aviões quase não mudam, mas as horas calmas do bairro podem finalmente ser medidas tal como são.

Uma pequena confissão: a ventoinha de arrefecimento foi primeiro montada ao contrário, a soprar para dentro em vez de para fora. Claro que era a peça mais difícil de alcançar. Foi virada esta manhã.

Os dois voos registados enquanto os sensores estavam na mesa da cozinha estão assinalados no arquivo e ficam fora das estatísticas. Tudo o resto voltou ao normal, só que melhor.

Station Captain