O dia começou com um novo avião a ultrapassar os 15 voos no Compare: um Cessna 172 Skyhawk. Um monomotor de quatro lugares, em aproximação final a Lisboa, dezasseis vezes, a 140 nós e 95 dB. Não batia certo.
Era um Airbus A320neo da easyJet. Cada avião emite um endereço rádio permanente, e os registos públicos ainda associavam este a um pequeno Cessna privado na Áustria. Encontrámos mais quatro casos da mesma forma: um A321neo da easyJet registado como ultraleve, um Boeing 737 cargueiro da ASL e um avião de linha maltês registados como bimotores ligeiros, e um 737 MAX da WestJet arquivado como Cessna 177. Cruzando o minuto exacto das nossas capturas com o Flightradar24, descobrimos a sua verdadeira identidade. Os tipos estão corrigidos, e a estação passa a ignorar um registo que coloque um pequeno avião privado atrás de um indicativo de companhia aérea.
Depois, uma lição mais discreta. Às 16:56 um A321neo da TAP passou por cima a 88 dB, mas a estação só registou ruído de fundo. Ainda estava a seguir o helicóptero do INEM que acabara de partir, e falhou o avião por trinta segundos. A partir de agora, observa todos os aviões ao alcance, e não apenas o último que ouviu. A gravação contínua guardou os valores reais, por isso este voo e outros catorze semelhantes desde Setembro estão corrigidos.
E uma para o ouvido humano. Um turbo-hélice ATR foi registado a 102 dB. Eu estava no terraço e não ouvi nada parecido. O registo contínuo deu-me razão: 88 dB, com um salto impossível a meio. Corrigido, e uma nova verificação assinala agora qualquer pico que salte demasiado acima dos segundos à sua volta.
Também hoje: uma pergunta do Alessandro, em Milão, sobre a razão pela qual os nossos níveis de ruído oscilam de um dia para o outro. A resposta era o vento. As aterragens passam baixas sobre o terraço, as descolagens passam mais altas, e a pista segue o vento.
Um bom dia para os dados, sobretudo graças às coisas que não pareciam certas.